
tão só que me esqueço e vacilo entre
o antes o depois numa recordação doce
de coisa alguma
numa solidão redonda
sinónimo de algumas ausências tecidas na
serenidade violenta dos adeuses ditos há anos
agora
sinto a agonia do cansaço vivido em cada madrugada
descalça com o frio dentro da cabeça e os pés a
palpitar face à insapiência que transpiro
em cada poro
inscrita neste corpo frágil que oscila na espontaneidade
constitutiva de todas as existências existentes para
além da filosofia humanista de Sartre e Hegel
na antecâmara
das correntes filosóficas
conducentes a nenhures
há outras correntes
as dos rios que me seduzem desde que
não corram para a evidência do mar como única
permanência do ser quedada nesta falácia de existir
na pessoalidade
na inter face do verosímil
na fragilidade do corpo
ergue.se o delírio nocturno
Chopin
onde as pessoas desdobradas quais formigas
aparecem ou desaparecem no enquadramento
da vidraça
a calçada escorregadia
a vida
enjeitam o trâmite linear do tempo
como limite precoce à inconsciência










































